Deitei-me com a vovó. Tinha medo. Não sei porquê, mas à noite, eu tinha medo da casa das Lameirinhas. Eu tinha muito medo da escuridão daquela casa. Procurei debaixo dos lençois a mão da vovó e disse-lhe: "Dá-me a tua mão!" Já não me lembro bem do que me respondeu, e a escuridão não me deixou ver a cara que ela fez. Só sei que me deu a mão como lhe pedira.
Só largava a sua mão quando já estava bem embalada pelo sono e quando me virava para o outro lado.
Acordava às vezes e assustava-me se a mão da vovó já não segurava a minha e ía novamente agarrá-la.
De manhã quando as paredes se iluminavam, as mãos da vovó penteavam com um pente amarelo, os seus longos e cinzentos cabelos. Enrolavam-no num totiço de bailarina e eu com um olho fechado e outro aberto observava-a. Já não precisava das mãos da vovó.
Hoje tenho medo da escuridão do meu quarto. Onde estão as mãozinhas da vovó?
1 comentário:
Há sempre a necessidade de uma mão.
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