
Deixei de brincar ao faz de conta. Ao faz de conta que acredito no que pensas, faz de conta que acredito no que fazes, faz de conta que acredito no que dizes. Deixei de brincar às corridas. Deixei de correr atrás do nada, de fugir incessantemente do tudo. Deixei de inventar nomes aos objectos que me rodeiam, de atribuir qualidades desmerecidas, às pessoas que faziam parte das minhas fantasias e alegrias. Deixei as minhas brincadeiras arrumadas na gaveta das memórias e tranquei-a a sete chaves. Desta vez contei até 3 devagarinho, não para procurar quem se escondia de mim, mas sim para dar início ao futuro da minha vida. Não me importa se chego em primeiro ou em último, não me importa se encontrarei muitos ou poucos amigos pelo caminho, os principais já estão comigo; não me importa se aquela nuvem tem o formato de flor ou de coroa de princesa, aquela nuvem tem o formato que eu lhe der; não importa que não acreditem nos meus sonhos, são meus, só eu tenho que acreditar. Chega. Já basta o sofrimento que me causaste com as tuas brincadeiras. Eu não sou nenhum fantoche, que se deixa manipular por ti! Tenho vida! Não sou o papagaio de papel que tão depressa vez no céu sorrindo, como no chão completamente desfeito! Não sou a bola de futebol onde tu chutas furiosamente. Abandonaste-me, ou então abandonei-te, mas que não restem dúvidas que há melhor que tu!Há para quem na realidade eu fale, sem que seja para o boneco.