Eram 3 da manhã. Ele olhava para a estante dos livros, escolhia um e retirava-o da prateleira. Ela estava já quase adormecida, estendida no sofá. Sentia-se uma música de fundo que não a caracterizava. Ele sentou-se de costas para ela, com o livro nas mãos. Levava a mão aos bolsos e iniciava o ritual. Depois de algum tempo decorrido, tocava-lhe no braço dormente e muito baixinho chamava-a. Quase que instintivamente ela acordava, levantava-se vagarosamente e procurava a mão dele, agarrando-a firmemente e esboçando um sorriso reflectido nos olhos brilhantes de vidro. De costas para o mundo cumpriam o ritual, juntos.
Naquela noite o Amor, tinha sido a escolha para dar um risco.