
Tenho medo da noite! Porque é à noite que todas as memórias sobrevoam o meu quarto. É à noite, enquanto a lua cresce no céu, que me sinto mais só. Sinto a cama onde me deito fria, como se alguma vez me tivesse deitado nela quente. E tenho medo. Porque é à noite, que é mais fácil desistir, e eu sou tão mediocre e tão fraca, que não é só da noite que tenho medo, mas também de mim própria. Tento fechar os olhos, mas pelo contrário fixo o olhar nas sombras que atravessam as cortinas das janelas. Oiço ecos de vozes habituais, mas ao mesmo tempo desconhecidas. E ali fico. Estendida sobre a minha cama fria; de olhos perdidos no tempo, e no espaço, carregados de lágrimas que ardem na pele ao escorrer pela cara. Até que o sono vença a mágoa, a dor e o medo. Estás a ver como me fazes falta? Como mais que ninguém, te necessito para que me sinta aconchegada? Para que preenchas o lugar vazio da cama que todas as noites parece ser tão grande? Para que não tenha medo da noite? Será que vou ter que continuar à espera, não que voltes, mas que... apareças? As noites são tão longas e frias. Aí vem mais uma...
Sem comentários:
Enviar um comentário