segunda-feira, 1 de junho de 2009

Homicidas de Saudades

Mais que tudo, depois de me ter mudado, aprendi que afinal 205km são 2.30 horas de viagem, que 217 km são 2.14 horas de distância. Que não há rigor, nem matemática que contabilize proporcionalmente o espaço e tempo que existe entre nós. São 128 minutos de ansiedade e de espera. E a parte que custa, nem é estar a 217 km de ti, é ficar a 128 minutos de ti.Eu nem conto o tempo que nos separa, e tu sabes como eu, como o tempo tenta matar o amor. Nem é a distância, nem o quão longe possamos estar. É o tempo que não passamos juntos, é o tempo que teimosamente não pára enquanto estamos juntos e é o tempo que se perde enquanto planeamos as "idas e vindas". Mas nós somos maiores, não é? Nós somos os tais homicidas de saudades, que apesar de já não partilharmos tantas vezes as mesmas molduras, e de sorrirmos mais junto de outras pessoas que esqueceremos a felicidade terna dos abraços e dos beijos.Mais que o tempo, que como te digo, é imenso, existe o silêncio. Aliás, os silêncios interrompidos por uma esporadica chamada telefónica. O silêncio ao receber uma mensagem tua. Mas não, o silêncio não mata o amor. Nós sorrimos para além do silêncio, porque nós somos os tais homicídas de saudades.Mais que o virar e revirar da ampulheta, ou ecos silênciosos da tua presença, há o espaço. É que não é só a travessia de um rio, passar a ponte e "aqui estou eu". É o espaço que fere os olhos, de não te verem, que sufoca o corpo que não te pode tocar... É o espaço que às vezes mata o amor. Só as palavras nos sossegam. Só as palavras ansiosamente nos sossegam. E, ainda que, as saudades nos apertem ainda mais com as palvras que pronunciamos, nos somos os seus homicidas, e sentimos no peito o bater acelerado, e na barriga o desejo do reencontro.Mais que tudo isso, nós somos quem nós somos, independentemente de nos sabermos criteriosamente definir. Somos, como dissemos, os homicidas de saudades. Então, porque haveriamos de deixar matar o amor? Todas as distâncias, horas, silêncios, dores e desejos se extinguem, quando ultrapassamos os 217 km, as 2,14 horas que nos separam e frente a frente acabamos com a carência; quando juntos fazemos o que nos dá mais prazer, quando matamos as saudades!

sábado, 16 de maio de 2009

Beijos de café

Peguei com a mão sonâmbula a chavena de café. Dei dois ou tres goles seguidos e lembrei-me de ti! Sabes como eu sou, gosto de saborear calmamente o meu café, quase que bochechando-o. Gosto dos cafés fortes e de aquecer as mãos enquanto estas seguram a chávena a escaldar. Sou a verdadeira apreciadora de café, de quem te ris em jeito de simpatia. De quem te ris enquanto te e me questionas como é possivel gostar de beber café sem açúcar! Não insistas, está bem assim, morno e amargo. Estamos bem assim sentados no sofá, eu com a minha perna esquerda em cima da tua direita e a segurarmos as nossas chávenas de café.O sono vai sendo substituído pelo sorriso que gradualmente surge nos meus lábios. As minhas mãos frias começam a ficar mais quentes e a minha boca ganha o paladar dos teus beijos. Pouso a chávena, agora vazia, e imagino-te a rir da verdadeira apreciadora dos teus beijos.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Avivar memórias

Contei-te que hoje me lembrei de ti. Como se nos outros dias não o fizesse. Tu, nem sei bem porquê, demonstraste interesse e perguntaste-me o que me fez lembrar-te. Então falei-te de um, dos entre tantos momentos em que me lembrei de ti. Falei-te do momento mais obvio em que me poderia lembrar de ti. Eu transparecia desinteresse, tu talvez felicidade, mas no fundo eramos iguais. Tanto eu como tu, simuladores e confiantes. Mentirosos. Saberás tu que te minto, como quem te quer em segredo? Que te ignoro, como quem agarra possessivamente algo? Que passo por ti e não te falo, porque gostaria que me pegasses no braço, me puxasses e me dissesses "olá"? Nunca o saberei, porque nunca mo dirás, porque nunca voltarás... Sinceridade é algo que não existe no mundo de ambos e é essa falta que aumenta a distância que nos separa. Talvez te devesse ter dito que te quero em vez de ter dito que me havia lembrado de ti.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

À memória de um riso

Fazia me feliz esse teu riso simples e calmo como tu. Aquelas tuas duas gargalhadas seguidas depois de me deixares sorrir com os olhos. Mas depois só perguntaste pelo menos importante. Esqueceste-te de quando me sentei ao teu lado no sofá e enconstei a minha cabeça no teu ombro. Esqueceste-te também de quando o teu braço abraçou o meu pescoço e de quando a tua mão foi procurar a minha debaixo da manta por cima de nós. Mesmo a serenidade com a qual me acariciavas as mãos, com que mas agarravas, tu esqueceste! Agora tens saudades, se isso é saudade, não de quando adormecíamos em conhchinha, mas de momentos que por desconhecimento não faziam parte do meu amor por ti. Fui feliz, não com o amor que me deste, nem com o amor que te dei, porque não houve amor. Não sei, ainda hoje, o que realmente houve entre nós. Talvez partilha de carinhos que por outros nos eram negados. Apesar de hoje perguntares pelo menos importante, eu perdoo-te, tal como tu me perdoas as minhas exigências absurdas, porque me fazes sorrir, a mim e aos meus olhos, quando me lembro desse teu jeito simpático de rir. É essa a imagem que guardo dentro de mim, é essa a melodia que me atordoa quando me vens à memória.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Esquecimento

Esqueceste-te de mim no canto do quarto, onde me deixaste triste e núa, a chorar por ti.Não chegaram os sorrisos e os beijos que te dei. Afinal tinha razão quando dizia que não
voltavas. E tu sorrias como quem adivinhava, como quem sabia que ía ser assim.O quarto está cada vez mais escuro. Está cada vez mais vazio, preenchidas apenas as paredes
brancas com as gargalhadas e sorrisos de outrora; com os ecos da tua voz dizendo-me "adeus", do lado de lá da linha telefónica, sem o beijo no final da frase. A tua voz seca a despedir-se de
mim e os meus olhos carregados de lágrimas a escutarem-te, a enlouquecerem...

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Já não tenho saudades tuas

Já não tenho saudades tuas.
Hoje vou sentar-me na cadeira, frente à cadeira em que supostamente te deverias sentar, acender a vela e jantar sozinha. Vou confundir a sombra de um armário ou dos copos, com a tua sombra. Farei daquela refeição um pequeno monólogo. Conversarei sozinha. Aquilo que sinto, já não são saudades tuas, da tua presença ou de o que quer que seja teu. Já é demasiada a tua ausência para sentir. O teu nome já nem faz sentido. Já quase me deito sem pensar em ti. Já quase vivo sem precisar de ti. Já quase faz sentido sentar-me na cadeira, frente à cadeira em que supostamente te deverias sentar, acender a vela e jantar sozinha. Não era possível eu ficar para sempre à tua espera. Nem chegámos a fazer promessas de maior. Alguma vez referimos o "sempre"? Já não te espero. Esperar seria sinónimo de morrer. Por isso morri aos pedacinhos. Por isso me mataste aos pedacinhos. Por isso hoje vou sentar-me na cadeira, frente à cadeira em que supostamente te deverias sentar, acender a vela e jantar sozinha. Queria ter tido contigo outra história, diferente do fim que lhe deste. Confesso que ao ínicio pareceu-me que entraste de encaixe na minha vida. Tinhas medo, mas eu tive mais... Arriscaste, mas fui eu quem perdi. Por ti caminhei por trilhos perigosos e caí em chãos sujos e tristes. Deixei de ser eu para ser alguém que eu própria não conhecia. Fizeste-me cansar e por isso hoje vou sentar-me na cadeira, frente à cadeira em que supostamente te deverias sentar, acender a vela e jantar sozinha. Mas vou sentar-me, olhar em frente para a tua cadeira vazia e sentir a tua falta. Vou acender a vela e descobrir que o teu rosto iluminado não está. Nem vou terminar o jantar. Vou correr em direção ao meu quarto, vestir o meu vestido mais lindo, pintar os lábios delineadamente, fazer um risco no olho, e colocar uma sombra nas pálpebras. Vou dar um jeito ao cabelo, calçar as minhas sandálias altas. Vou olhar-me ao espelho e sorrir. E só depois, mas, ainda hoje, vou sentar-me na cadeira, frente à cadeira em que supostamente te deverias sentar, acender a vela e jantar sozinha. Vou sorrir mais uma vez e enganar-me, já não tenho saudades tuas.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Sem título

Continua a chover lá fora, mas eu sinto cá dentro a chuva a cair sobre a minha cabeça. Consigo sentir as pingas frias cair uma por uma, certeiramente na minha cabeça. Sinto também a água escorrer-me pelos cabelos, pela cara e a roupa a colar-se aos poucos ao meu corpo. Mas não me movo da cadeira. Cada vez mais me pesa a roupa. Arrefeço sentada em frente à janela. Os lábios ganham tons entre o violeta e o roxo e a pele enrruguece muito, muito descolorada. Vou tremendo. Primeiro as pontas dos dedos, depois os braços e o corpo todo sucessivamente. Apenas oiço a chuva a bater violentamente na janela e o tiritar dos meus dentes numa melodia insurdecedora interrompida por rajadas de vento que agitam os vidros e fazem bater a porta do fundo. Deixo de me sentir. Os pés estão frios demais, as mãos estão frias demais... Paralisei finalmente. Deixei de ver a chuva cair, e de a sentir. Caí no chão seco e quente do quarto, como se caísse no alcatrão molhado da estrada que avistava da minha janela. Mas estou sozinha. Ninguém repara que estou ali. Todos me pisam e atropelam sem se aperceberem. Vão-se abrindo feridas no pedaço de mim que ainda existe, que ainda não morreu... Vão escorrendo lágrimas entre as gotas de chuva que me cobrem.
Só depois, quando dum momento para o outro a força com que o chão me atraía abrandou, reparei... Morri.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As tardes tristes

"As tardes eram tristes, tristes e as noites eram iluminadas, mas só, lá fora, nas ruas."

A parte que mais custa, é quando te deixo, Pai.Seja em que altura for, quando te deixo, os teus olhos pequeninos, que tu dizes que um dia foram grandes, ficam mais pequenos ainda. Ficam mais pesados ainda.
E ris-te, como em todos os momentos em que te apetece chorar, mas te contrarias para que eu acredite que não se passa nada. Mas passa e quanto mais sorris mais me contenho para não chorar contigo. A dor dos domingos é essa. É a dor de saber que mal viro costas te desfazes. É a dor de te deixar na tua fragilidade oculta. É a dor do crescimento. É a dor da saudade.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Em casa à noite

Já me habituei ao silêncio da casa à noite. Agora só ás vezes confundo o teu canto com o vento ou com a voz da televisão lá ao fundo. E por vezes chego a acreditar que és tu a cantar, tu a chamar e fico em sobressalto. Mas depois abro os olhos e oiço melhor. É só o vento, é só a televisão.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Perder tudo para ti

Vou perder tudo para ti, e não me custa porque é para ti. Vou perder a alegria,para que não digas que és infeliz; a confiança, para que não digas que não és capaz;os amigos, para que não te queixes de falta de apoio;as certezas, para que tudo o que faças esteja certo; os sonhos, para que chegues mais além; as forças, para chegares até ao fim; as batalhas, para que sejas tu a ganhá-las; os dias, para que estejas preparada para tudo;Não vai ser fácil, mas para que os outros ganhem é preciso que alguém perca. E pergunto-me, será que perderás algo para mim? De certeza absoluta que não.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A Pianista

Era capaz de imagina-la a tocar piano. Aliás sempre que a tento imaginar, vejo-a numa sala escura, onde apenas as suas mãos estão iluminadas. Os seus dedos largos sobre as teclas do piano. As suas costas altas curvadas sobre o piano. A sua alma a fundir-se com a música do piano. Enquanto isso o seu corpo frágil, torna-se mais frágil ainda.
De repente olho-a, e já não é mais pianista. Fita-me com os seus olhos ternurentos e acaricia o gato que se encosta às suas pernas. E eu envergonho-me, porque estive aquele tempo todo a olhar para ela e se me perguntasse porque o fazia, era incapaz de lhe dizer que estava a imagina-la a tocar piano.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Nunca te esqueças de mim

Não. A amizade não é aquilo que vai na alma e que de repente se esquece.
Amizade é mais do que isso. É mais do que o interesse, do que uma atenção, do que um momento, do que uma recordação. Amizade é aquilo que um dia me ligou a ti, e que ainda hoje preservo. Amizade é aquilo que sinto por ti e por mais umas tantas pessoas, que no fim de contas são possiveis de se contar pelos dedos. Porque conhecidos tenho muitos, mas amigos apenas os suficientes. Fomos amigas tanto quando choraste como quando sorriste; tanto quando afirmaste como quando mentiste; tanto quando protegeste como quando traíste; tanto quando lutaste como quando desististe... E alternando as situações, fomos tão amigas uma da outra. Hoje, ainda que o tempo, a distância, a vida ou qualquer outro factor nos tenha separado, continuo a acreditar que aquilo que nos une não é a recordação de um bom momento passado, ou um outro interesse. Acredito que a amizade que construímos não findou, está em permanente crescimento e que nunca se esgotará. Por isso te peço, que se a vida algum dia nos impedir da convivência a que nos habituámos, nunca te esqueças de mim. Nunca me vires o rosto, encara-me com um sorriso.

às minhas verdadeiras amigas
mia

domingo, 10 de agosto de 2008

Um ano sem ti

Nunca valorizei tanto o tempo como agora. Os dias passam sem eu querer e eu fico com medo. Parece que antes os dias eram longos... Hoje só os meus dias de dor são longos.
Um ano. Faz hoje precisamente um ano. Aquele dia foi talvez um dos maiores dias da minha vida, e neste momento reparo como foram tão fugazes os dias que passei contigo.
Foi a mais longa e ao mesmo tempo a mais breve despedida da minha vida. Foi rápida e ao mesmo tempo tão longa e dolorosa a tua partida. Só agora entendo que ainda não me despedi de ti. Passado um ano, ainda estás em mim; apesar de teres ido embora, tu ficaste. E hoje, passado um ano, não posso dar-te aquele beijinho de "boa-viagem", que te dei na tua testa fria. Até quando me posso despedir de ti? Quando é que pararei de contar os dias e os anos? Quando é que sentirei que foste para não mais voltar, e que aquele beijo de despedida foi deveras o último?

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Feliz Aniversário

Ontem não consegui dizer-te nada. Não era nem falta de vontade, nem falta de palavras; era a tua falta.
Feliz Aniversário! Cantei-te os parabéns baixinho! Conseguiste ouvir? Pareceu-me ver-te sorrir na fotografia. Pareceu-me que dizias "Deixa cá ver a tua mãozinha que eu lhe dou um beijinho!" e sem querer estendi a minha mão e juro, pareceu-me que de facto senti o teu beijo.
Agora já não fazes anos, fazes falta... Feliz Aniversário!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Piano

Na casa da minha avó não havia um piano, havia o desejo de ter um. Mais do que isso, havia o desejo de que alguém tocasse piano. A verdade é que na casa da minha avó não faltava espaço para ele. No Natal, na Páscoa, onde quer que fosse, quer na casa da minha avó, quer na minha casa, ficava a vontade "E se aprendesses a tocar piano?". Se tivesse aprendido, provavelmente hoje a casa da minha avó seria mais pequena e eu seria maior. Talvez hoje tivesse uma história para contar, como aqueles que na casa da avó tinham um piano. Talvez nos Natais e Páscoas de hoje em dia, deixasse de ouvir a vovó dizer: " E se aprendesses a tocar piano?". Talvez pudesse te-la visto sorrir ao ouvir-me tocar. Hoje, já só há o desejo, ou nem isso.



sexta-feira, 4 de julho de 2008

Sussurro ao ouvido

"As pessoas não sabem o que é o amor, nem o distinguem de paixão!"- sussurrei-te ao ouvido.Então, agarraste-me as mãos e as tuas mãos são tão grandes...! Abraçaste-me o corpo e eu entrei dentro de ti, cada vez mais dentro de ti, até me esgotar em ti. Suspirámos fundo, juntos; fechámos os olhos, juntos; eu sempre mais dentro de ti. Havia música. Não sei se dum piano, nem sei de quem as mãos no piano, mas ouvíamos música. E havia luz, serenidade e aventura. Eu era maior dentro de ti, porque tu eras enorme. Os sonhos eram intermináveis naquela nossa dimensão. Tudo era possível, tudo era simples, tudo estava ao nosso alcance. Quando eu saía de ti, e só aos poucos é que eu saía de ti, conversávamos. Ao teu lado o "amor" era uma coisa e a "paixão" era outra. Nós sabíamos distingui-las tão bem! Depois beijavas-me a testa e sorrias. Só ficava o teu sorriso, a sensação das tuas mãos no meu corpo e o teu perfume no meu cabelo. "Eu sou assim!"- respondias-me tu, num sussurro ao ouvido.

Heróis

Como a vida é dor, como a vida é tristeza, refugiamos as nossas alegrias em heróis. Todos temos heróis. Eu tenho heróis. Não muitos, mas os suficientes para me aperceber que os heróis são pessoas como qualquer um de nós. Os heróis também são dor, são tristezas, como a vida, que refugiam as alegrias em outros heróis. Heróis como eu, como tu, como os meus heróis.
O meu herói, como eu, tem defeitos, e custa aceitar que um herói tenha defeitos. Mas não custa aceitar que eu os tenha. Dói mais descobrir os defeitos num herói, do que em mim. E às vezes os heróis têm mais defeitos que nós...
Mas ele é o meu herói, e eu não sou o herói de ninguém.

domingo, 25 de maio de 2008

Maior Defeito

O nosso maior defeito reside no facto de nos habituarmos à presença um do outro, que quase nos faz esquecer do motivo pelo qual estamos juntos, o amor. Foi o estares sempre comigo, viveres comigo, morares comigo, caminhares comigo, que fez com que a quotidianidade nos fizesse esquecer daquilo que nos une. Foi o virar o rosto e tu estares lá, que fez com que o teu rosto deixasse de ser o mais lindo.
Hoje já nem reparas no meu vestido novo, ainda que já conheças todos os meus vestidos. Agora qualquer vestido serve e está bem. Esqueço-me dos aniversários. Tu esqueces-te dos dias e das horas. Se chegas tarde eu janto
sozinha e vou dormir. Tu costumavas chegar a horas e deitavas-te comigo. Trazes-me flores, mas já nem sabes porque mas ofereces. Eu já nem sorrio.
Não temos saudades um do outro porque nos temos. Hoje preferia não te ter, como antes, porque no fundo tinhamo-nos ainda mais.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

vida a cores

Se a minha vida fosse um conceito concreto, possivel de ser desenhado e pintado, então seria um desenho a preto, branco e cinzento. Porque tal como uma fotografia antiga, só é possivel descobrir as cores reais depois de as imaginarmos.

Chorei porque um dia perdi

Chorei porque um dia perdi. Voltei a chorar porque um dia julguei que perdi para sempre. Ainda chorei outra vez, porque aí sim, perdi para sempre. E todas essas vezes me senti sozinha, perdida e amargurada. O que não perdi para sempre, ou voltei a ganhar, ou simplesmente não voltou. Do que perdi para sempre senti saudades. Sinto saudades. E quando pensei que estava sozinha, olhei em volta, e reparei que os amigos estavam todos a meu lado. Não chorei, sorri. Hoje sorrio pelo que tive e perdi, pelo que tive e julguei perder e pelo que eternamente perdi. Hoje sorrio pelo que tenho; pelas saudades do que tive, e pelas saudades que terei do que vou perder.